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segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

A Regeneração



(MARCHA DO PROGRESSO)

(Paris, 20 de junho de 1869)

Desde longos séculos as humanidades prosseguem uniformemente sua marcha ascendente através do tempo e do espaço.

Cada uma delas percorre, etapa por etapa, a rota do progresso, e se diferem pelos meios infinitamente variados que a Providência dispôs em suas mãos, são chamadas a se fundirem todas, a se identificarem na perfeição, já que todas partem da ignorância e da inconsciência de si mesmas para se aproximarem indefinidamente do mesmo fim: Deus; para alcançarem a felicidade suprema pelo conhecimento e pelo amor.

Há universos e mundos, como povos e indivíduos. As transformações físicas da terra, que sustenta o corpo, podem dividir-se em duas formas, assim como as transformações morais e intelectuais que alargam o espírito e o coração.

A terra se modifica pela cultura, pelo arroteamento e pelos esforços perseverantes dos seus possuidores e interessados; mas, a esse aperfeiçoamento incessante devemos juntar os grandes cataclismos periódicos, que são, para o regulador supremo, o que são a enxada e a charrua para o lavrador.

As humanidades se transformam e progridem pelo estudo perseverante e pela permuta de pensamentos. Instruindo-se e instruindo os outros, as inteligências se enriquecem, mas os cataclismos morais que regeneram o pensamento são necessários para determinar a aceitação de certas verdades.

Assimilam-se sem abalos e progressivamente as conseqüências de verdades aceitas. É preciso um concurso imenso de esforços perseverantes para que se aceitem novos princípios.

Marcha-se lentamente e sem fadiga sobre um caminho plano, mas é necessário reunir todas as suas forças para transpor um atalho agreste e destruir os obstáculos que surgem. É então que, para avançar, deve o homem quebrar necessariamente a corrente que o liga ao pelourinho do passado, pelo hábito, pela rotina e pelo preconceito; a não ser assim, o obstáculo fica sempre de pé, e ele girará num círculo sem saída até que tenha compreendido que, para vencer a resistência que obstrui a rota do futuro, não basta quebrar armas envelhecidas e danificadas: é indispensável criar outras.

Destruir um navio que faz água por todos os lados, antes de empreender uma travessia marítima, é medida de prudência, mas será ainda necessário, para realizar a viagem, que se criem novos meios de transporte.

Entretanto, eis onde se encontra atualmente certo número de homens de progresso, tanto no mundo moral e filosófico, quanto nos outros mundos do pensamento! Minaram tudo, tudo atacaram! As ruínas se espalham por toda parte, mas eles ainda não compreenderam que sobre tais ruínas é preciso edificar algo de mais sério que um livre-pensamento e uma independência moral, independentes apenas da moral e da razão. O nada em que se apóiam não é uma palavra muito profunda somente por ser vazia.

Assim como Deus já não cria os mundos do nada, o homem não pode criar novas crenças sem bases. Estas bases estão no estudo e na observação dos fatos.

A verdade eterna, como a lei que a consagra, não espera para existir a aceitação dos homens; ela é e governa o Universo, a despeito dos que fecham os olhos para não a ver. A eletricidade existia antes de Galvani e o vapor antes de Papin, como a nova crença e os princípios filosóficos do futuro existiam antes que os publicistas e os filósofos os tivessem consagrado. Sede pioneiros perseverantes e infatigáveis!... Se vos chamarem de loucos como o fizeram a Salomão de Caus, se vos repelirem como Fulton, marchai sempre, porque o tempo, esse juiz supremo, saberá tirar das trevas os que alimentam o farol que deve,

um dia, iluminar a Humanidade inteira.

Na Terra, o passado e o futuro são os dois braços de uma alavanca que tem no presente o seu ponto de apoio. Enquanto a rotina e os preconceitos tiverem curso, o passado estará no apogeu. Quando a luz se faz, a báscula balança, e o passado, que já escurecia, desaparece para dar lugar ao futuro que irradia.

                                                                                                                            Allan Kardec

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O Espiritismo e a Maçonaria



A origem da Maçonaria remonta aos povos mais antigos e vem

acompanhando, dentro dos rigores da sua tradição secreta e ritualista, cada

passo da civilização humana, nela influenciando sobretudo através da

presença dos maçons nas mais diversas profissões.

Em um livro admirável sobre o assunto, o nobre maçom Luiz Prado,

depois de lembrar que a trilogia Liberdade, Igualdade e Fraternidade é a

divisa imortal do verdadeiro maçom, explica que a Maçonaria, na “sua

trajetória gloriosa, tomou as denominações de ‘Ordem dos guardas da lei

das doze tábuas’, ‘Ordem dos Essênios’, ‘Ordem dos Templários’, ‘Ordem

do Cardo’, ‘Associação dos Pedreiros-livres’ e outras mais. Prossegue

dizendo que o “reflexo da atual Maçonaria deve ter feito sentir-se nos

tempos de Moisés, na Palestina dos Romanos e no Continente do Velho

Mundo.”

No tocante ao significado vernacular, diz ele que o “vocábulo —

Maçonaria — derivou do termo francês — maçon — que, traduzido para o

português, quer dizer — ‘pedreiro’. Eis como se justifica o motivo dos

maçons serem conhecidos como ‘pedreiros-livres.”1

A propósito, reina até hoje no movimento espírita uma séria dúvida

em saber se Allan Kardec (ou Hippolyte Léon Denizard Rivail, seu nome

civil) teria ou não teria sido maçom. Não que isso tenha importância capital

para a Doutrina Espírita, mas permitiria conhecer melhor a opinião de Allan Kardec sobre a instituição maçônica. Contudo, referida dúvida ainda não

pôde ser devidamente esclarecida.

Com efeito, André Moreil, conceituado biógrafo de Kardec, parece

inclinado a responder positivamente, escrevendo que “não se sabe em que

loja foi iniciado Denizard Rivail. Isto pouco importa. Os princípios eram os

mesmos. Eis a definição ideológica da Maçonaria, segundo o Larousse do

século XIX:

‘A Maçonaria tem por fim a melhoria moral e material do homem;

por princípios, a lei do progresso da Humanidade, as idéias filosóficas de

tolerância, fraternidade, igualdade e liberdade, abstração feita da fé

religiosa ou política, das nacionalidades e das diferenças sociais.

‘O Espiritismo moral e social iria dizer justamente a mesma coisa. Os

princípios filosóficos são absolutamente idênticos:

a) Existência de Deus.

b) Imortalidade da alma.

c) Solidariedade humana.”2

Entretanto, depois de profunda investigação e minuciosos estudos,

Zêus Wantuil, chegou à conclusão de que “... apenas existiu, entre Rivail e a

Maçonaria, afinidade de princípios e ideais, sem jamais haver ele ingressado

em loja alguma. É certo que sempre viu com simpatia a franco-Maçonaria,

mas isto não implica nem prova qualquer adesão oficial da parte dele.”3

Deixando de lado essa polêmica, a verdade é que o Espiritismo e a

Maçonaria têm inegáveis pontos em comum, e juntos poderão acelerar o

progresso da Humanidade e o estabelecimento da justiça social, sobretudo

através da perfeição moral dos espíritas e dos maçons.



Seguindo então o nosso objetivo de pesquisar assuntos de interesse

atual nas obras de Allan Kardec, verificamos que na sessão da Sociedade

Espírita de Paris do dia 25 de fevereiro de 1864, várias dissertações foram

obtidas sobre o concurso que o Espiritismo poderia encontrar na FrancoMaçonaria, que depois foram publicadas na Revista Espírita de Abril de

1864. Comunicaram-se naquela oportunidade os Espíritos Guttemberg

(Médium: Sr. Leymarie), Jacques de Molé (Médium: Srta. Bréguet) e o

franco-maçom Vaucanson (Médium: Sr. D’Ambel). Vejamos a seguir

algumas considerações que extraímos daquelas brilhantes comunicações,

usando o método de perguntas e respostas:

P. Qual a importância social da Maçonaria?

R. “As instituições maçônicas foram para a sociedade um

encaminhamento à felicidade. Numa época em que toda idéia liberal era

considerada um crime, os homens necessitavam de uma força que,

inteiramente submissa às leis, não fosse menos emancipada por suas

crenças, por suas instituições e pela unidade de seu ensino. Nessa época a

religião ainda era, não mãe consoladora, mas força despótica que, pela voz

de seus ministros, ordenava, feria, fazia tudo curvar-se à sua vontade; era

um assunto de pavor para quem quisesse, como livre pensador, agir e dar

aos homens sofredores alguma coragem e ao infeliz, algum consolo moral.

Unidos pelo coração, pela fortuna e pela caridade, nossos templos foram os

únicos altares onde não se havia desconhecido o verdadeiro Deus, onde o

homem ainda podia dizer-se homem, onde a criança podia esperar

encontrar, mais tarde, um protetor, e o abandonado, amigos.”

P. Existe alguma afinidade entre a Maçonaria e o Espiritismo?
R. “Que é o que se pede a todo maçom iniciado? Crer na imortalidade

da alma, no Divino Arquiteto, ser benfeitor, devotado, sociável, digno e

humilde. Ali pratica a igualdade na mais larga escala. Há, pois, nessas

sociedades uma afinidade com o Espiritismo de tal modo evidente que salta

aos olhos.”

P. E os maçons conhecem o Espiritismo?

R. “A questão do Espiritismo foi posta em ordem do dia em várias

lojas e eis o resultado: leram volumosos relatórios muito confusos a este

respeito, mas não o estudaram a fundo, o que fez que nisto, como em muitas

outras coisas, discutissem matéria que não conheciam, julgando por ouvir

dizer, mais do que pela realidade. Contudo muitos maçons são espíritas e

trabalham muito na propaganda desta crença. Todos escutam, e se o hábito

diz não, a razão diz sim.”

P. A Maçonaria já aceita as idéias espíritas?

R. “O Espiritismo é uma irresistível corrente de idéias, que deve

ganhar todo o mundo. É questão de tempo. Ora, seria desconhecer o caráter

da instituição maçônica, crer que esta concorde em se anular, representar

um papel negativo em meio ao movimento que impele a Humanidade para a

frente; crer que ela apague o facho, como se temesse a luz. Esperai, então.

Porque o tempo é um recrutador sem igual; por ele as impressões se

modificam e, necessariamente, no vasto campo dos estados abertos nas

lojas, o estudo espírita entrará como complemento, porque isto já está no ar.

Riram, falaram; não riem mais: meditam.

“Assim, então, tereis uma pepineira espírita nessas sociedades

essencialmente liberais. Por elas entrareis plenamente neste segundo

período, que deve preparar as vias prometidas. Os homens inteligentes da

Maçonaria vos bendirão por sua vez; pois a moral dos Espíritos dará um

corpo a essa seita tão comprometida, tão temida, mas que tem feito mais

bem do que se pensa.”

P. Como e quando isto acontecerá?

R. “Tudo tem um parto laborioso, uma afinidade misteriosa; e se isto

existe para o que perturba as camadas sociais, é muito mais verdadeiro para

o que conduz o progresso moral dos povos. Ainda alguns dias, e o

Espiritismo terá transposto o muro que separa a maioria das paredes do

templo dos segredos; e, nesse dia, a sociedade verá florescer no seu seio a

mais bela flor espírita que, deixando suas pétalas caírem, dará uma semente regeneradora da verdadeira liberdade. Agora, glória ao Grande Arquiteto!”


  •  
  • Fontes utilizadas pelo Autor:

    PRADO, Luiz. Ao pé das colunas. Rio, Ed. Mandarino, 3ª ed., pp. 13 ss. 

    MOREIL, André. Vida e obra de Allan Kardec. SP, Edicel, 1986, Trad. Miguel Maillet p. 41.

     3 WANTUIL, Zêus, et alii. Allan Kardec. (Meticulosa Pesquisa Biobibliográfica.), Rio, FEB,
    1979, Volume I, p. 161. 

    Autor: Eliseu Mota Junior.
    Artigo originalmente publicada na Revista Espírita do Espiritismo em
    Fevereiro de 1998.

    Observação: Reprodução de Artigo autorizada pelo autor.
    Nossos sinceros agradecimentos a ele. 

    segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

    Causa e efeito

    "Ninguém foge aos princípios de causa e efeito, mas ninguém está privado da liberdade de renovar o próprio caminho, renovando a si mesmo.
    Cada um de nós onde se encontre agora permanece em meio da colheita daquilo que plantou, com a possibilidade de efetuar novas sementeiras."

    André Luiz

    sábado, 15 de dezembro de 2012

    domingo, 9 de dezembro de 2012

    Nada esta fora da ordem

    Psicografia de Agnaldo Paviani


    Analisando os fatos sob a ótica da razão, a insatisfação é um erro dos mais graves, já que nada está fora de ordem nas coisas de Deus.
    Sua insatisfação não tem razão de ser. O que você queria?
    Um corpo mais saudável? Mas o seu corpo físico foi modelado pelo seu perispírito, imprimindo nele as deficiências morais. Portanto, o seu corpo é adequado.
    Uma família melhor? Mas aqueles que constituem sua família são os espíritos com os quais você está em débito, aguardando ressarcimento. Portanto, sua família é a ideal.
    Uma condição financeira mais confortável? Mas, por certo, já teve em outras vidas muitas posses, e o resultado foi catastrófico. Portanto, sua situação é a necessária para sua evolução.
    Uma esposa ou marido perfeito? Mas se você não é perfeito, porque acha que tem direito de exigir perfeição? Portanto, seu parceiro é bem mais perfeito do que merece, considerando seu passado.
    Só há uma insatisfação que é justa e que você sempre deve ter: a insatisfação com sua condição evolutiva. Neste caso, a insatisfação sem conflito é bem vinda.
    De resto, está tudo certo!
    (José de Moraes)

    Paraíso, Inferno e Purgatório



    No Universo não há lugares circunscritos para as penas e gozos dos espíritos, pois eles são inerentes ao seu grau de perfeição.

    Cada um tira de si mesmo o princípio de sua felicidade ou de sua desgraça.

    Quanto aos encarnados, esses são mais ou menos felizes ou desgraçados, conforme é mais ou menos adiantado o mundo em que o habitam.

    Inferno e Paraíso são simples alegorias; por toda parte há Espíritos ditosos e inditosos.

    A localização absoluta das regiões das penas e das recompensas só na imaginação do homem existe.

    Provém da sua tendência a materializar e circunscrever as coisas, cuja essência infinita não lhe é possível compreender.

    Por "purgatório" devem-se entender as dores físicas e morais: o tempo de expiação.

    Quase sempre, na Terra, é que fazemos o nosso purgatório e que Deus nos obriga a expiar nossas faltas.

    Por "céu" não se deve entender um lugar onde os Espíritos estejam todos despreocupados, somente gozando a eterna felicidade.

    Não; é o espaço universal; são os planetas, as estrelas e todos os mundos superiores, onde os Espíritos gozam plenamente de suas faculdades, sem as tribulações da vida material, nem as angústias peculiares à inferioridade.

    As expressões "quarto", "quinto" céus, etc., exprimem diferentes graus de purificação e, por conseguinte, de felicidade.

    É exatamente como quando se pergunta a um Espírito se está no inferno.

    Se for desgraçado dirá sim, porque, para ele, inferno é sinônimo de sofrimento.

    Sabe, porém, muito bem que não é uma fornalha.

    Um pagão diria estar no Tártaro.

    Quando o Cristo disse: "Meu reino não é deste mundo", quis dizer que seu reinado se exerce unicamente sobre os corações puros e desinteressados, mas, um dia, o bem reinará na Terra.

    Por meio do progresso moral e praticando as leis de Deus é que o homem atrairá para a Terra os bons Espíritos e dela afastará os maus.

    Essa transformação se verificará por meio da encarnação de Espíritos melhores, que constituirão, aqui, uma geração nova.

    Então, os Espíritos dos maus, que a morte vai ceifando dia a dia, e todos os que tentem deter a marcha das coisas, serão excluídos, pois que viriam a estar deslocados entre os homens de bem, cuja felicidade perturbariam.

    Irão para outros mundos menos adiantados, desempenhar missões penosas, trabalhando pelo seu próprio adiantamento, ao mesmo tempo em que trabalharão pelo de seus irmãos ainda mais atrasados.

    E, então, a Terra será transformada.




    Trecho retirado do livro: ABC do Espiritismo.

    Autor: Victor Ribas Carneiro

    quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

    Destruição Necessária e Destruição Abusiva

    Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar.

    O que chamamos de destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.

    Para se alimentarem, os seres vivos reciprocamente se destroem, destruição esta que obedece a um duplo fim: manutenção do equilíbrio na reprodução, que poderia tornar-se excessiva, e utilização dos despojos do invólucro exterior que sofre a destruição e que não é parte essencial do ser pensante.

    A Natureza cerca os seres de meios de preservação e de conservação a fim de que a destruição não se dê antes do tempo.

    Toda destruição antecipada obsta ao desenvolvimento do principio inteligente.

    Por isso foi que Deus fez que cada ser experimentasse a necessidade de vencer e de se reproduzir.

    Ao lado dos meios de conservação, a Natureza colocou os agentes de destruição para manter o equilíbrio e servir de contrapeso.

    A necessidade de destruição não é idêntica em todos os mundos: guarda proporções com o estado mais ou menos material desses mundos.

    Cessa, quando o físico e o moral se acham depurados.

    Entre os homens da Terra, a necessidade de destruição se enfraquece à medida que o Espírito sobrepuja a matéria.

    Assim é que, como se observa, o horror à destruição cresce com o seu desenvolvimento intelectual e moral.

    Em seu estado atual, o direito de destruição se acha regulado pela necessidade que tem o homem de prover ao seu sustento e sua segurança.

    O abuso jamais constitui direito.

    Toda destruição que excede os limites da necessidade é uma violação de lei de Deus.

    Os animais só destroem para satisfação de suas necessidades, enquanto que o homem, dotado de livre-arbítrio, o faz sem necessidade.

    Terá que prestar contas do abuso da liberdade que lhe foi concedida, pois isso significa que cede aos maus instintos

    Trecho retirado do livro: Abc do Espiritismo.
    Autor: Victor Ribas Carneiro.

    segunda-feira, 19 de novembro de 2012

    O Espiritismo e a Fé


    "Fé inabalável só é a que pode encarar de frente a razão, em todas as épocas da humanidade"Allan Kardec.
    A Doutrina Espírita apresenta uma nova maneira de ver a Fé. Este é um ponto que julgamos importante, pois enquanto as religiões procuram manipular as consciências, incutindo idéias de medo, impondo comportamentos, reduzindo consideravelmente o livre arbítrio, o Espiritismo deixa o pensamento fluir livremente, o mais natural possível para que o indivíduo possa demonstrar toda sua identidade e autenticidade.
    A Fé raciocinada deixa de possuir conotação de algo obtido por uma graça, por um mistério que não pode ser explicado. Ela, portanto, difere de tudo o que caracteriza a Fé religiosa, porque baseia-se na busca do entendimento e do discernimento. A Fé religiosa firma-se nos dogmas que definem as religiões. A Fé Espírita usa a razão e, por isto, pode criticar e examinar o objeto da Fé.
    Há uma lucidez maior dos conhecimentos adquiridos e uma melhor captação de conhecimentos novos. A Fé Espírita é efeito e não causa. O indivíduo que a possui já experienciou no passado no passado vivências, aprendizados, etc. que hoje lhe transmitem toda uma certeza e confiança. Há uma visão global, holística, das coisas; ou, porque não dizer, uma visão "guestaltica" do todo.
    Para que se obtenha esta compreensão geral, aumentando-a paulatinamente, torna-se necessário que a nossa inteligência esteja ativa, para podermos exercitá-la através da vontade. Com a inteligência teremos facilidade de adquirir conhecimentos novos e tornar presente ou consciente os já adquiridos. Estes, serão sempre assoalho para o apoio de novas informações; assim, o poder de análise e de síntese vai crescendo de forma que a cada passo o indivíduo tenha nova compreensão, novos "insights", ou lampejos cada vez mais claros.
    Assim é a Fé Espírita, com características próprias e especiais, que a diferencia de qualquer outra Fé. A Fé Espírita não é reducionista, não bloqueia a vontade nem a expressão do ser humano; ao contrário, amplia a vontade e a capacidade de expressão. O indivíduo fica livre para a escolha e com menos possibilidades de ser manobrado ou manipulado.
    Daí Allan Kardec dizer que a Fé Espírita "não pode ser prescrita ou imposta, por aquele que a tem, ninguém a poderá tirar e àquele que não a tem ninguém poderá dar". Diz o Codificador que "a Fé é sinal evidente de progresso". O Espiritismo, como Doutrina reencarnacionista e evolucionista, tem na sua Fé uma conseqüência desse progresso que o indivíduo vai pouco a pouco conquistando, vivenciando. O progresso vai facilitando melhores elaborações em estágios sempre renovados.
    Portanto, Fé não se consegue como que "por um passe de mágica". Ela é a certeza, a segurança e a confiança já conquistadas e que num dado momento o indivíduo experiência. A Fé está relacionada a obras, assim, uns possuem mais Fé, outros menos. Para a realização das obras - e das conquistas - é necessário estudo e trabalho que resultam em experiência. O que se pode afirmar é que haverá sempre uma nova tarefa a ser executada, a nos provar, a nos testar e, assim, vamos obtendo maior firmeza na execução, ou seja, maior Fé.
    Foi dito, "a fé é mãe da esperança e da caridade", o que é facilmente compreensível, porque todo aquele que a possui, conforme a Doutrina Espírita, apresenta um sintoma de que já conquistou estágios importantes e, como tal, ela já está incorporada ao seu acervo tornando-se natural a prática do amor e da caridade.
    A importância do Espírita ter esse entendimento da Fé, o levará a vivenciar melhor a atual existência, o aqui e agora, e a pautar todos os seus atos dentro de uma moral e de uma ética elevada. O Espiritismo facilita a reparação dos erros numa experimentação consciente e nisto está o fortalecimento da Fé. Todo este entendimento nos conduzirá à certeza, à confiança e à esperança, proporcionando-nos encarar de frente a razão em todas as épocas da humanidade.
                                                Otaviano Pereira da Neves                                                       

    sexta-feira, 2 de novembro de 2012

    Comemoração aos mortos


    Por - Gilberto L. Tomasi

    Na questão 321 de O Livro dos Espíritos, quando perguntado aos mesmos se o dia da comemoração dos mortos, é para eles mais solene do que os outros dias, e se é prazeroso eles irem ao encontro dos que vão orar em cemitérios sobre seus túmulos, eles respondem: “Os espíritos acodem nesse dias ao chamado dos que da Terra dirigem seus pensamentos, como o fazem noutro dia qualquer”.
    O espiritismo não defende este ou a aquele procedimento, até porque é ou procura ser isenta de paradigmas, sendo sua função principal o esclarecimento a cerca da existência, quer seja no mundo material ou espiritual.
    Portanto, o dia de finados em síntese, não significa nada para os espíritos e, se eles se dirigem aos cemitérios nesta data, em maior número, é porque lá é maior o número de pessoas que lhes chamam pelo pensamento. Mas, eles mesmos nos dizem que cada espírito vai lá somente pelos seus parentes e amigos e não pela multidão dos indiferentes. Importante notar, que nesse dia e nesses locais os espíritos comparecem com a forma que tinham quando encarnados.
    Costuma-se dizer, entre os não espíritas, que quando um determinado túmulo encontra-se abandonado, sem visitação, sem flores ou velas acesas, em especial no dia de finados, que seus parentes e amigos os esqueceram. Na verdade, sabemos que para o espírito desencarnado a Terra não tem mais a mínima importância, haja vista, que os encarnados só se sentem presos a eles pela lembrança, portanto, se aqui ninguém mais, nesse ou outro dia qualquer lhe tem lembranças ou lhe devota alguma afeição, nada mais lhe prende a esse Planeta pois ele tem para si o Universo todo.
    A visitação serve apenas para exteriorizar um ato de caráter íntimo, sendo que o mais importante é a prece que se faz neste momento para rememorar os que desencarnaram, não importando o local, desde que a oração seja feita com o coração.
    Existem verdadeiros monumentos e estátuas erguidas em homenagem à alguns desencarnados, sem que haja, entretanto, qualquer tipo de  prazer para esses espíritos homenageados, principalmente sabendo eles que ali se encontra apenas seus restos materiais.
    Devemos lembrar de nossos entes queridos que já desencarnaram pelos bons momentos que passamos juntos, independentemente de datas ou locais, pedindo proteção àqueles que porventura encontram-se em estágio mais evoluído e, orando por aqueles que ainda não encontraram seu local, lembrando sempre que a lembrança  e o chamamento de forma desordenada acaba gerando uma angústia e um desespero muito grande àquelas almas que ainda se encontram presas a matéria.

    sexta-feira, 23 de março de 2012

    Espiritismo é Cristão?



    No Jornal Espírita, nº 317, de janeiro de 2002, especificamente na coluna “Qual é a Dúvida”, de responsabilidade de Carlos de Brito Imbassay, foi transcrita para os leitores a seguinte mensagem:
    Espiritismo Cristão?
    Como? O Espiritismo é cristão? Mas os senhores então acreditam em criação do Mundo em seis dias há seis mil anos? Crêem em três Deuses fazendo o papel de Um? Crêem na infalibilidade da Bíblia? Crêem que estão salvos pelo sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo derramado na cruz, para remir nossos pecados?
    Não? Então como pode o Espiritismo ser cristão? Todo cristão tem por obrigação crer naquelas coisas, pois senão, não podem fazer uso do qualificativo de cristão.
    Marcos.
    Responderemos às questões propostas pelo articulista, sem a necessidade de demonstrar que se ele realmente pensa desta maneira nada entende de Espiritismo, talvez seja mais um dos que ouviram dizer que o Espiritismo é isso ou aquilo, da boca de outro que ouviu dizer, que por sua vez, também ouviu de outro, e assim sucessivamente.

    Como? O Espiritismo é cristão?

    Ao que nós sabemos ainda não existe nenhuma instituição (nacional ou internacional?) encarregada de distribuir “carteirinha de cristão” a quem quer que seja. O que afirmamos é que: é cristão todo aquele que se diz ser. Nada mais que isso. Mas, isso não implica necessariamente termos que pensar de maneira igual, pois cada um de nós é uma individualidade distinta que possui grau de evolução diferente dos demais.
    Entretanto, iremos recorrer ao Evangelho para tirarmos a prova. Primeiramente citaremos o próprio Jesus que diz: Porque, onde estão dois ou três reunidos em meu nome, eu estou no meio deles (Mateus 18, 20). Veja que a única condição para Ele estar junto com alguém é que esteja reunido em Seu nome. Fora disso, só se alguém estiver querendo ser maior que Jesus. Agora podemos citar Paulo que em sua carta aos coríntios fala: julgais as coisas só pelas aparências. Se alguém tem a certeza de pertencer a Cristo, considere que nós somos de Cristo como ele (2 Coríntios 10, 7).
    Também fazemos uma diferença entre ser cristão e seguir ao Cristo. Os que atualmente se dizem cristãos nada mais são que pessoas que poderíamos dizer judeu-cristãos, já que para eles a fonte de suas verdades se apóia na Bíblia. Seguir ao Cristo para nós seria esforçarmos para colocar seus ensinamentos, contidos no Novo Testamento, em prática no nosso dia-a-dia. Não O vemos em momento algum criticando a religião de ninguém, nem O vemos tentando, a qualquer custo, converter alguém a seguí-Lo ou mesmo insistindo que somente quem o segue irá para os céus. A única coisa que disse foi: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim (João 14, 6), entretanto isto significa que sem praticar seus ensinamentos não há como chegar ao Pai. Mas, a bem da verdade não podemos dizer que os ensinamentos são propriamente de Jesus, já que disse: portanto, o que falo é justamente aquilo que o Pai me mandou anunciar (João 12, 50), ou seja, estava transmitindo-nos as orientações de Deus.
    E para os menos avisados, Kardec estudando a moral do Cristo publicou o Livro “O Evangelho Segundo o Espiritismo – E.S.E”, onde analisa sob a ótica da Doutrina Espírita os ensinamentos de Jesus, entre os quais citamos o Sermão da Montanha. E para ressaltar a importância dele, vejamos os dados abaixo: 1 – No E.S.E. existem 28 capítulos, dos quais 18 contêm passagens dele, corresponde, portanto, a 64% dos capítulos; 2 – Em Mateus ele está inserido nos capítulos 5, 6 e 7, num total de 111 versículos, destes 92 foram estudados por Kardec, ou seja, 83% dos versículos; 3 – Em Mateus existem 28 capítulos, esse episódio está narrado em 3, o que equivale a 11% dos capítulos.
    Assim, no aspecto religioso o Espiritismo abraça, sem dúvida alguma, os ensinamentos de Cristo, não os daqueles que se julgam donos da verdade. A nossa máxima é “FORA DA CARIDADE NÃO HÁ SALVAÇÃO”, que cumprida significa: amar ao próximo como a nós mesmos, mandamento básico da mensagem de Deus vinda aos homens por intermédio de Jesus.

    Mas os senhores então acreditam em criação do Mundo em seis dias há seis mil anos?

    E nem poderíamos acreditar num absurdo desse. Vejamos o que a ciência afirma sobre a idade do Planeta Terra:A datação radiométrica permitiu aos cientistas calcular a idade da Terra em 4 bilhões 650 milhões de anos.[1] Assim, não há como contrariar a Ciência por causa da Bíblia. Uma coisa que normalmente os bibliólatras não conseguem enxergar é que tudo o que a ciência vier a descobrir ou desvendar estará certamente descobrindo ou desvendando Leis Naturais, cuja origem é Deus, assim, via de conseqüência, são inegavelmente Leis Divinas.
    É bom lembrar que, não muito tempo atrás, os que se apegavam à Bíblia quiseram contestar a tese de Galileu, que afirmava não ser a Terra o centro do Universo, quase o queimaram por isso mas, hoje em dia, nem se discute mais que ele estava coberto de razão.
    Mas, para os que acreditam que a criação do Mundo se deu em seis dias, perguntamos: considerando que somente após criar o Sol é que podemos racionalmente dizer em dia (e noite) como estabelecer esse período de tempo para as coisas que foram criadas anteriores à criação dele? Alguém poderá dizer que Deus ao criar a luz no primeiro dia fez uma separação entre a luz e as trevas, e que à luz chamou de dia, e às trevas de noite. Ótimo! Mas, então como explicar que se fale em dia e noite sem que se tenha ainda criado o Sol, uma vez que somente este astro é que nos dá o ciclo dia e noite?

    Crêem em três Deuses fazendo o papel de Um?

    Se fosse ensino de Jesus creríamos. Entretanto, não O vemos em momento algum dizer que Ele era o próprio Deus. Ao contrário, inúmeras vezes se dizia filho do homem (Mateus 30 vezes, Marcos 13, Lucas 26 e João 11) e, pouquíssimas vezes filho de Deus (João 3 vezes). Ser filho de Deus, não quer dizer que era Deus, existe uma diferença inconfundível nisso. Desculpe-nos, falamos inconfundível somente para pessoas de mente aberta, não para alguns fanáticos.
    Mas, para que não paire dúvida alguma, faremos uma pesquisa no Novo Testamento, para resolvermos esta questão. Vejamos estas passagens:
    Marcos 12, 29 e 32: ...o SENHOR nosso Deus é o único Senhor. E o escriba lhe disse: Muito bem, Mestre, e com verdade disseste que há um só Deus, e que não há outro além dele; Romanos 3, 30: Visto que Deus é um só...; 1 Coríntios 8, 4 e 6: ...o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só. Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo ...; Gálatas 3, 20: Ora, o medianeiro não o é de um só, mas Deus é um; Efésios 4, 5-6: Um só SENHOR, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos e em todos vós; e, 1 Timóteo 2, 5: Porque há um só Deus, e um só Mediador...
    Por outro lado, os discípulos nunca O tiveram como a um Deus, sempre diziam que era apenas um homem, vejamos: Atos 2, 22: Homens israelitas, escutai estas palavras: A Jesus Nazareno, homem aprovado por Deus entre vós com maravilhas, prodígios e sinais... Romanos 5, 15: ...muito mais a graça de Deus, e o dom pela graça, que é de um só homem, Jesus Cristo, abundou sobre muitos; e, 1 Timóteo 2, 5: ...e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem.
    Ele sempre Se colocou como enviado de Deus, nunca como o próprio Deus. Além de que, as profecias sobre Ele sempre diziam da vinda de um Messias (Mensageiro) não que o próprio Deus iria vir.
    Se aceitarmos Jesus como sendo Deus ficaremos diante de algo inexplicável, vejamos: Deus (Jesus) encarna na Terra, se imola na cruz em oferta a Deus (Ele mesmo) para tirar os nossos pecados, pode uma coisa dessa? Também, quando ele morre na cruz, ele diz: Pai (=Deus, ou seja, ele mesmo), em tuas mãos entrego meu espírito, como explicar Ele entregando Seu espírito a Ele mesmo?
    Mas se alguém quiser saber o porquê do dogma da Trindade, imposta aos Católicos e aceita pelos Protestantes, é só pesquisar a cultura de todos os povos que dominaram o povo hebreu e encontrará a explicação. Não fizeram nada mais que copiar o que destes povos tinham a respeito de suas divindades, que eram sempre compostas de três pessoas. E o Catolicismo em meio de várias religiões não possuía mais que um Deus, assim, para se igualar às correntes religiosas, diga-se de passagem todas ditas pagãs, resolveram juntar aos seus dogmas mais este.

    Crêem na infalibilidade da Bíblia?

    Os católicos acreditam na infalibilidade do Papa, os protestantes na infalibilidade da Bíblia e nós, os Espíritas, preferimos aceitar e acreditar somente na INFALIBILIDADE DE DEUS. E é por isso que não podemos, por razões de lógica, aceitar que Deus sendo infalível possa produzir algo assim: Em Êxodo 20, 5: ... Castigo a culpa dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração... enquanto que em Deuteronômio 24, 16: Os pais não serão mortos pela culpa dos filhos, nem os filhos pela culpa dos pais: cada um será morto por seu próprio pecado, afinal castiga os filhos pelo erro dos pais ou não? Em Êxodo 21, 12: Quem ferir mortalmente um homem, será punido de morte, em Êxodo 21, 15: Quem ferir o pai ou a mãe, será punido de morte, isso entre outras tantas cujo desfecho é a morte, ao passo que em Êxodo 20, 13: Não matarás, ficamos na dúvida é para matar ou não?
    Teríamos muito mais coisas para colocar, mas para que este texto não se alongue demais, fiquemos por aqui. E sobre esse assunto estaremos publicando, em breve, o livro “A Bíblia à Moda da Casa”, onde mostraremos verdades sobre a Bíblia para os que possuem capacidade de ver e ouvidos de ouvir.

    Crêem que estão salvos pelo sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo derramado na cruz, para remir nossos pecados?

    Não podemos crer nisso, pois preferimos ficar com Jesus, quando Ele diz: Porque o Filho do homem há de vir na glória de seu Pai, com os seus anjos, e retribuirá a cada um conforme suas obras (Mateus 16, 27). Se a retribuição é conforme as nossas obras e Ele nunca falou em sangue, ficamos com as obras, quem quiser que fique com o sangue.
    Ao estudarmos o Novo Testamento, percebemos que no princípio essa idéia de sangue resgatar os pecados foi introduzida somente para que o cristianismo nascente se propagasse sem grandes dificuldades de aceitação. É o que os apóstolos fizeram, talvez também fruto das Leis Mosaicas, já que é nelas que o sangue dos touros resgata os pecados, pelo sacrifício de expiação.
    Por outro lado, se o sangue de Cristo derramado na cruz, remiu nossos pecados, comamos e bebamos, como diz Paulo, já que estamos todos remidos. Só que os sacrifícios de expiação daquela época eram para resgatar os pecados já cometidos, e assim sendo, necessitaremos de um outro Cristo para pagar os pecados da humanidade após sua morte na cruz, não há outra alternativa se nos baseamos na lógica e no bom senso.

    Não? Então como pode o Espiritismo ser cristão?

    Se tivéssemos outro nome para nos designar talvez fosse bem melhor, pois se ser cristão e ter que aceitar os maiores absurdos só porque constam da Bíblia, é melhor não o sermos. Se ser cristão é não acreditar nos avanços da ciência, preferimos não ser. Se ser cristão é ficar preocupados com os que os outros pensam para os atacar, é preferível não o ser. Enfim, para não sermos confundidos com os que se dizem cristão e não seguem a Cristo, até mesmo suplicamos por outro nome para identificar a nós que nos esforçamos para seguir plenamente Seus ensinamentos. E diante de tantos absurdos que fizeram e ainda fazem os que se dizem cristãos, preferimos somente ser chamados de Espíritas.

    Todo cristão tem por obrigação crer naquelas coisas, pois senão, não podem fazer uso do qualificativo de cristão.

    Agora sim é que não quero ser designado cristão mesmo, pois jamais abrirei mão do direito de pensar por mim mesmo. Não podemos ficar sujeitos às interpretações e dogmas impostos por qualquer pessoa. E nisso o Espiritismo é ímpar entre as religiões, pois, muito ao contrário, diz justamente que devemos criticar tudo, não aceitar nada sem uma análise feita utilizando a razão e a lógica, e que podemos questionar tudo, mas tudo mesmo, porque INFALÍVEL SÓ DEUS.

    Conclusão

    Para evitar que este texto ficasse longo demais, não colocamos todos os nossos argumentos, mas se alguém quiser saber mais sobre o assunto, Espiritismo x Cristianismo, faça uma visita a este endereço na Internet: http://www.espirito.org.br/portal/artigos/paulosns/index.html.
    Mas, com razão está Huberto Rohden, quando diz:
    “Há quem afirme que o cristianismo possa salvar o mundo – enganam-se! Há quase dois mil anos o cristianismo tem cometido os maiores crimes de que há memória nos anais do gênero humano, incluindo cruzadas, inquisições, guerras de extermínio, infernos de ódio, rios de sangue e de lágrimas – e ninguém dirá que isso seja salvação”.
    “É tempo, senhores teólogos dogmáticos, de enterrarmos os nossos ídolos, tidos e havidos por sagrados, e voltarmos a um conceito mais puro e mais espiritual do cristianismo. Cristão genuíno é todo aquele homem que possui o espírito de Cristo e vive segundo esse espírito. O espírito de Cristo, porém, é o de um amor ao próximo universal, nascido dum profundíssimo amor a Deus”.
    E, para finalizar, fazemos nossas as seguintes palavras aos que pensam assim:
    Eles não compreendem nem o que dizem, nem as questões que defendem, apesar de se apresentarem como doutores da lei (1 Timóteo 1, 7).
    Porque, onde há ciúme e espírito de discórdia, aí reina desordem e toda espécie de maldade (Tiago 3, 16).
    Esta é a vontade de Deus: fazer calar, pela prática do bem, a ignorância dos homens insensatos (1 Pedro 2, 15).
    Será que me tornei vosso inimigo por dizer-vos a verdade? (Gálatas 4, 16).
    Paulo da Silva Neto Sobrinho
    Jan/2002.

    Bibliografia:

    • Bíblia Anotada = The Ryrie Study Bible/Texto bíblico: Versão Almeida, Revista e Atualizada, com introdução, esboço, referências laterais e notas por Charles Caldwell Ryrie; Trad. Carlos Oswaldo C. Pinto. São Paulo, Mundo Cristão, 1994.
    • Bíblia Sagrada, Edição Barsa, 1965.
    • Bíblia Sagrada, Edição Pastoral, Sociedade Bíblica Católica Internacional e Paulus, 14ª Impressão 1995.
    • Bíblia – Mensagem de Deus , Novo Testamento - LEB - Edições Loyola, São Paulo, 1984.
    • Bíblia Sagrada, Editora Ave Maria, São Paulo, 1989, 68ª Edição.
    • Bíblia Sagrada, Editora Vozes, Petrópolis, RJ, 1989, 8ª Edição
    • Lampejos Evangélicos, Huberto Rohden, Editora Martin Claret, São Paulo, SP, 1995.
    Do site  http://www.espirito.org.br/

    segunda-feira, 19 de março de 2012

    Frases de Kardec

    "Os Espíritos anunciam que chegaram os tempos marcados pela Providência para uma manifestação universal e que, sendo eles os ministros de Deus e os agentes de sua vontade, têm por missão instruir e esclarecer os homens, abrindo uma nova era para a regeneração da Humanidade."


    "A própria destruição, que parece aos homens o termo das coisas, não é senão um meio de atingir, pela transformação, um estado mais perfeito, porque tudo morre para renascer, e coisa alguma se torna em nada."


    "A lei natural traça ao homem o limite de suas necessidades, e quando ela a ultrapassa, é punido pelo sofrimento."


    "Ajude ao que erra; seus pés pisam o mesmo chão, e se você tem possibilidade de corrigir, não tem o direito de censurar.

    "Se a religião recusa caminhar com a ciência, a ciência avança sozinha."

    domingo, 20 de novembro de 2011

    Aliança da Ciência e da Religião

    A Ciência e a Religião são as duas alavancas da inteligência humana: uma revela as leis do mundo material e a outra as do mundo moral. Tendo, no entanto, essas leis o mesmo princípio, que é Deus, não podem contradizer-se. Se fossem a negação uma da outra, uma necessariamente estaria em erro e a outra com a verdade, porquanto Deus não pode pretender a destruição de sua própria obra. A incompatibilidade que se julgou existir entre essas duas ordens de ideias provém apenas de uma observação defeituosa e de excesso de exclusivismo, de um lado e de outro. Daí um conflito que deu origem à incredulidade e à intolerância.
    São chegados os tempos em que os ensinamentos do Cristo têm de ser completados; em que o véu intencionalmente lançado sobre algumas partes desse ensino tem de ser levantado; em que a Ciência, deixando de ser exclusivamente materialista, tem de levar em conta o elemento espiritual e em que a Religião, deixando de ignorar as leis orgânicas e imutáveis da matéria, como duas forças que são, apoiando-se uma na outra e marchando combinadas, se prestarão mútuo concurso. Então, não mais desmentida pela Ciência, a Religião adquirirá inabalável poder, porque estará de acordo com a razão, já se lhe não podendo mais opor a irresistível lógica dos factos.
    A Ciência e a Religião não puderam, até hoje, entender-se, porque, encarando cada uma as coisas do seu ponto de vista exclusivo, reciprocamente se repeliam. Faltava com que encher o vazio que as separava, um traço de união que as aproximasse. Esse traço de união está no conhecimento das leis que regem o Universo espiritual e suas relações com o mundo corpóreo, leis tão imutáveis quanto as que regem o movimento dos astros e a existência dos seres. Uma vez comprovadas pela experiência essas relações, nova luz se fez: a fé dirigiu-se à razão; esta nada encontrou de ilógico na fé: vencido foi o materialismo. Mas, nisso, como em tudo, há pessoas que ficam atrás, até serem arrastadas pelo movimento geral, que as esmaga, se tentam resistir-lhe, em vez de o acompanharem. E toda uma revolução que neste momento se opera e trabalha os espíritos. Após uma elaboração que durou mais de dezoito séculos, chega ela à sua plena realização e vai marcar uma nova era na vida da Humanidade. Fáceis são de prever as consequências: acarretará para as relações sociais inevitáveis modificações, às quais ninguém terá força para se opor, porque elas estão nos desígnios de Deus e derivam da lei do progresso, que é lei de Deus.

     KARDEC, Allan - O Evangelho segundo o Espiritismo. FEB. 112ª ed. Rio de Janeiro. 1996. pg. 57

    quinta-feira, 14 de julho de 2011

    Senhora da Justiça

    Parece que se nubla o Sol quando ela chega...
    Pode chegar de mansinho, em demorados ensaios, ou chega de modo abrupto, como um felino que salta sobre uma presa.
    Num ou noutro caso, jamais é bem-vinda.
    Pode ser que ela chegue anunciando renovações, liberdade e crescimentos, contudo, na base dessas bençãos, há sempre amarguras, dor e saudade.
    Servidora de Deus em favor da Grande Vida, costuma ser rejeitada, abominada mesmo, e considerada como poderosa e intransigente inimiga, tudo por causa do pouco entendimento quanto a sua grave quão divina missão.
    Parece que neve regelante se abate sobre todas as coisas, quando ela se apresenta...
    Responsável por larga faixa do progresso do mundo e senhora da impoluta justiça, uma vez que não privilegia condições econômicas, culturais ou sociais, nem se curva a faixas etárias ou a vinculações, quaisquer que sejam, quãos poucos já conseguem ter paz perante seus sinais, e pouquíssimos já podem expressar alegrias diante dos seu anúncio.
    O que lhe confere foros de verdade e caráter de permanência na vida humana é o fato de representar as leis divinas, e as leis de Deus visam sempre ao bem de todas as almas, filhas do Seu amor.
    Se tu conheces a Jesus e admites a perfeição da vontade do nosso Criador, segue aprendendo, ainda que aos poucos, a respeitar esse ser, cuja presença tanto assusta e incomoda, desde tempos imemoriais.
    Não necessitas prestar-lhe qualquer culto; nem precisas temê-la.
    Basta que vivas nobremente no mundo, e que ensines aos teus a fazer o mesmo, porque, seja mansamente, como a luz do dia que dilui as sombras da noite, ou rápida e violenta, como o salto de um felino, a morte a todos envolverá com seu véu de narcotizantes essências, a todos transladando dos campos do passageiro aprendizado terrestre, para o Grande Lar da vida imperecível, no seio das estrelas.
    Todas as suposições e todos os enganos se desfazem, quando, após superarmos duras pelejas e cumprirmos nossos deveres, saímos do mundo das sensações enganosas e mergulharmos no oceano de realidades que o amortecimento do corpo carnal permite ao Espírito imortal.
                                                                                               
    Rosângela C.  Lima